SP afirma que precisa de ‘kit intubação’ em 24 horas para evitar colapso na saúde

Em ofício enviado ao Ministério da Saúde na terça-feira, 13, o governo de São Paulo afirmou que precisa receber medicamentos do kit intubação em 24 horas, de forma que consigam repor estoques e evitar desabastecimentos de medicamentos essenciais para o tratamento de pacientes em situação grave por conta da Covid-19. As informações são do jornal Todo Dia.

“A situação de abastecimento de medicamentos, principalmente daqueles que compõem as classes terapêuticas de bloqueadores neuromusculares e sedativos está gravíssima, isto é, na iminência do colapso, considerando os dados de estoque e consumo atualizado pelos hospitais nesses últimos dias”, aponta o documento assinado pelo secretário de Saúde, Jean Gorinchteyn.

De acordo com Gorinchteyn, “a partir dos próximos dias” faltará medicamentos, caso nada seja feito. São bloqueadores neuromusculares e fármacos para sedação contínua dos pacientes que permanecem intubados –e que, sem eles, não suportariam as dores do procedimento e do uso dos aparelhos.

No documento, o secretário de Saúde afirma que há mais de 40 dias vem formalizando “reiteradamente” ao Ministério da Saúde solicitações para a adoção de “medidas expressas e urgentes” para a recomposição dos estoques em São Paulo.

Desde março, o Ministério da Saúde passou a fazer requisições administrativas que obrigam as fábricas a destinar o excedente de sua produção para a pasta, que depois redistribui os medicamentos para os estados, por meio do SUS.

O secretário afirma que tem enviado informações diárias sobre estoques ao ministério, mas não tem sido atendido. A quantidade de medicamentos enviados ao estado foi até agora “ínfima”, segundo diz.

“O Ministério da Saúde mantém o mercado produtor nacional requisitado administrativamente desde o mês de março, prejudicando e dificultando o acesso dos hospitais, municípios e desta pasta aos fabricantes do kit intubação”, afirma.

“O Ministério da Saúde manteve o Estado de São Paulo durante 6 (seis) meses sem fornecimento de qualquer quantidade de medicamentos provenientes das requisições administrativas realizadas”, segue. E “furta-se a esclarecer qual critério adotado para definir a distribuição dos milhões de unidades farmacêuticas requisitadas, face ao quantitativo ínfimo enviado ao Estado de São Paulo”.​

O documento diz que a secretaria “tem envidado esforços, por meio de várias estratégias, para a aquisição dos medicamentos que compõem o kit intubação, visando mitigar o cenário de desabastecimento”. As estratégias adotadas também por gestores dos hospitais municipais e do estado, no entanto, não “estão logrando êxito devido à capacidade produtiva e comercial dos fabricantes e distribuidores de medicamentos do kit intubação”.

Os produtores não estão conseguindo atender a velocidade da demanda “crescente e exponencial” de casos graves de Covid-19 em todo o país.

No final do documento, o secretário lista a quantidade de quatro bloqueadores neuromusculares, de três fármacos para sedação contínua e de um fármaco para analgesia “em até 24 horas, minimamente para suprir o abastecimento de 643 hospitais para os próximos dez dias”.

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