Internação de idosos acima de 90 anos cai 20% após de início de vacinação. Na faixa de 30 a 59 óbitos aumentaram

Pouco mais de 1 mês depois do início da campanha de vacinação no Brasil, o número de novas internações de idosos com 90 anos ou mais por covid caiu 20% no país. No mesmo período, houve alta de 10% no número geral de hospitalizações pela doença.

Na faixa etária dos 30 aos 39 anos, o aumento foi de 50%. A campanha de imunização no país teve início em 18 de janeiro com a vacinação de profissionais de saúde, indígenas e idosos que vivem em instituições de longa permanência ou com mais de 90 anos.

O levantamento foi publicado pelo jornal O Estado de S.Paulo neste domingo (14.mar.2021), a partir de informações de 253.054 mortes registradas no Sivep-Gripe, do SUS (Sistema Único de Saúde), do Ministério da Saúde.

Em números absolutos, as hospitalizações de pessoas com 90 anos ou mais caíram de 528 na última semana epidemiológica de janeiro (1ª após o início da vacinação) para 425 na última semana de fevereiro, quando o programa de imunização completava 5 semanas.

Se considerado todo o grupo de idosos, ou seja, brasileiros com 60 anos ou mais, também houve uma queda nas internações, ainda que tímida: 2,7% (de 9.327 para 9.073 casos no período). Na maior parte dos estados, a vacinação de idosos com menos de 75 anos ainda não começou.

O número de novas internações por covid em todas as faixas etárias subiu de 16.699 para 18.347 (alta de 10%). Entre a população de 30 a 39 anos, na qual foi registrado o maior aumento porcentual (50%), as novas internações passaram de 1.292 para 1.767 no intervalo analisado.

Morte por covid no Brasil cresce na faixa de 30 a 59 anos

A participação da faixa etária de 30 a 59 anos no total de mortes pela covid-19 aumentou nos últimos 4 meses. Em dezembro, esse grupo representou 20,3% dos óbitos, mas os dados preliminares de março indicam que, agora, esse percentual chegou a 26,9%. Em todos os meses de dezembro para cá houve aumento da proporção de pessoas de meia-idade no total de novas vítimas do coronavírus.

Os dados foram compilados a partir de informações de 253.054 mortes registradas no banco de dados Sivep-Gripe, do SUS. Só foram analisados os óbitos com informações completas sobre idade e mês da morte. Por essa razão, o número é inferior aos dados mais recentes do Ministério da Saúde.

O aumento das mortes no grupo de meia-idade é acompanhado por uma redução do percentual de idosos. As vítimas que tinham 60 anos ou mais foram 79% do total em novembro, a maior proporção até agora. Desde então a proporção cai de forma constante. Em março, 71,5% das pessoas que morreram por covid-19 estava nessa faixa etária.

Para o professor de epidemiologia Walter Ramalho, da UnB (Universidade de Brasília), essa mudança no perfil das vítimas do coronavírus pode ter relação com o avanço da campanha de vacinação nos idosos e também com questões comportamentais. “Em alguns Estados, a vacinação das pessoas acima de 75 anos já foi concluída. Além disso, a população idosa no geral é mais reclusa que os jovens, que circulam mais”, diz. “Tudo sugere que existe um comportamento social atrelado a isso”.

Considerando todo o período da pandemia, a composição etária dos mortos é a seguinte:

  • jovens de até 29 anos – 1,5%;
  • pessoas de 30 a 59 anos – 22,5%;
  • idosos de 60 ou mais anos – 76%.

Os dados mostram que nos últimos meses a proporção de pessoas de meia-idade aumentou e, em março, já ultrapassa ⅓ dos mortos em 7 Estados.

No Estado de são Paulo, a proporção de pessoas de meia-idade no total de vítimas do coronavírus em março também cresceu no Estado mais populoso do país. Foi 19,9% das mortes em janeiro para 27,6% em março (das mortes computadas até agora).

Deixe uma resposta